quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Homens armados resgatam menor 04.09.2013

Diário do Nordeste

O adolescente simulou estar doente e foi resgatado por homens armados quando era levado ao hospital
O resgate de um interno do Centro Educacional São Miguel, no bairro Passaré, deixou as equipes que trabalham nas unidades que recebem adolescentes em conflito com a lei em situação de tensão. Para os servidores do Judiciário atuantes nesta área, o sistema que abriga os menores de 18 anos demonstra muitas vulnerabilidades na segurança.

O juiz Manuel Clístenes disse que sente receio de que "coisas piores" aconteçam, diante da vulnerabilidade da segurança dos Centros FOTO: KLÉBER GONÇALVES

O juiz Manuel Clístenes de Façanha e Gonçalves, titular da 5ª Vara de Execução da Infância e Juventude de Fortaleza, declarou que se sente bastante preocupado com a integridade dos adolescentes que estão sendo custodiados na Capital. "Já nos mobilizamos na tentativa de achar uma solução para o problema, mas as falhas na segurança continuam", disse o magistrado.

Falsa dor

Conforme informações prestadas por ele, na noite de segunda-feira passada, dois homens armados interceptaram uma Kombi que transportava um dos internos, supostamente doente, ao hospital. "Ele (o garoto) disse que estava sentindo uma dor no peito. A equipe agiu certo em levá-lo ao hospital, a orientação é esta mesmo. O problema é que a situação tinha sido armada por ele, para que houvesse o resgate", disse Clístenes.


Na saída do Centro São Miguel, dois homens armados teriam abordaram o veículo e gritado a palavra "resgate". Os dois orientadores educacionais que acompanhavam o menor foram ameaçados com revólveres apontados para a cabeça e tiveram seus pertences roubados.

O magistrado da 5ª Vara afirmou, ainda, que durante o trajeto, o menor passou a dirigir a Kombi e os orientadores foram liberados algum tempo depois, em u lugar ermo do bairro Maraponga. "Eles estão em pânico até agora com o que passaram. Correram muito risco".

Depois que os reféns foram liberados, o menor e seus comparsas entraram em um carro de apoio, que seguia a Kombi desde o Centro Educacional. Segundo informações prestadas na 5ª Vara, o adolescente estava internado por ter envolvimento com roubo de veículos.

Manuel Clístenes disse que depois que Mateus Aquino de Pacheco, 16, foi morto ao sair de uma audiência na 5ª Vara, em abril último, existe uma tentativa de reforçar a segurança em instituições que recebem crianças e adolescentes infratores.

"Nos reunimos com o secretário de Segurança Pública que foi taxativo em dizer que não poderia disponibilizar PM para os Centros. Precisamos que os PMs ajudem nisto. Precisamos de escoltas armadas nos Centros. Nenhum orientador de lá pode ter porte de arma", disse o juiz.

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