terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Albert Sabin é o único hospital do N/NE com tratamento em incontinência fecal

A incontinência fecal não é apenas um distúrbio que gera problemas físicos, mas também psicológicos e sociais. A perda involuntária de fezes sólidas e líquidas é uma realidade que afeta 25% das crianças que passam por cirurgia de correção de anomalia anorretal no Brasil, uma das causas mais comuns. O Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) é o único do Norte e Nordeste e o segundo do País que oferece tratamento especializado para crianças e adolescentes que sofrem com incontinência fecal.

De acordo com o cirurgião pediatra e coordenador do Núcleo Especializado em Tratamento Infantil da Incontinência Fecal (Netiif) do Albert Sabin, João Henrique Colares, 95% das crianças e dos adolescentes que são atendidos pelo Netiif/ Hias obtêm sucesso no tratamento. “Eles têm melhorado a qualidade de vida. O tratamento ajuda a abandonarem as fraldas e permanecerem limpos por 24 horas, podendo brincar e ficar mais à vontade”, ressalta.

Desde bebê, Âmila Alves Lima, 6, é tratada e acompanhada pela equipe médica do Hospital Albert Sabin. Ela nasceu sem a perfuração do ânus (anomalia anorretal). A menina passou por cirurgia de correção, mas ainda sofre com problemas de constipação intestinal (prisão de ventre) - o que é comum para quem era portador desse tipo de anomalia. O tio de Âmila, o policial civil Tiago Pacífico, 34, recebeu as orientações e treinamento da equipe do Netiif e ensinará à mãe e à avó da menina a aplicar os procedimentos do uso de solução salina caseira com clister (introdução de líquido no ânus para lavagem intestinal) e ajudá-la a ter uma melhor qualidade de vida. “Tô satisfeito com o tratamento dela. As expectativas são as melhores possíveis”, comenta.

Programa Manejo do Cólon

Há muita dificuldade para quem sofre incontinência fecal expressar seus sintomas e, com frequência, afastam-se do convívio social. Não apenas as crianças são afetadas com esses problemas, mas também os pais são muitas vezes frustrados e preocupados com o estigma social associado à perda de fezes e ao mau odor causado por isso. Por meio do Programa do Manejo do Cólon, realizado pelo Netiif, os pais recebem instruções para controlar a eliminação de fezes dos filhos, que passam a ser acompanhados pela equipe multidisciplinar do Núcleo Especializado do Albert Sabin. “O diferencial do tratamento consiste no ensino dos pais e da criança como aplicar corretamente os clisteres em casa, através do uso de banner ilustrativo, boneco e uma cartilha educativa do Netiif”, fala Marion Purcaru, enfermeira do Programa.


O método do clister consiste na preparação de uma solução salina (um litro de água morna mais 1 e ½ colher de chá de sal) e da utilização de alguns materiais (bolsa de enema, catéter, lubrificante, seringa de 20cc e xilocaina gel) para realizar a injeção do líquido pelo reto. “É um tratamento simples, barato, acessível e não precisa de altas tecnologias. O material é cedido pelo Hospital e os resultados superam os outros (tipos de tratamento)”, explica João Henrique.

Além da anomalia anorretal (ânus imperfurado), problemas como, por exemplo, espinha bífida (fechamento incompleto da coluna vertebral), megacólon (grande dilatação do intestino grosso), teratomas perineais (tumor de células embrionárias no períneo) e constipação crônica severa são alguns distúrbios que também acarretam incontinência fecal. Há 10 anos, a fisioterapeuta Elvira Evangelista, 37, acompanha o sofrimento da filha na busca de um tratamento adequado para o problema dela. “Desde os oito anos, ela vem se tratando com médicos, passando por problemas de constrangimento em situações diferentes”. Ádrya Emanuelly Evangelista de Freitas, 18, sofre de constipação crônica. Dificuldades como evacuação incompleta, dores e distensão abdominal mudaram não apenas a rotina da adolescente, como também da mãe. Segundo Elvira, ela e a filha passam constantemente por constrangimentos em diferentes situações no dia a dia. Agora, com a orientação médica adequada e a participação no Programa do Manejo do Cólon, mãe e filha poderão sentir-se bem e Ádrya, cursar uma faculdade. “Quero ficar boa e, se Deus quiser, me curar para começar a faculdade”, diz confiante.

Referência para outros estados

Desde a última quarta-feira (19), a cirurgiã pediatra Socorro Loiola, do Hospital Infantil Lucídio Portela, de Teresina (PI), está em Fortaleza para conhecer de perto e receber treinamento sobre o Programa Manejo do Cólon do Netiif/ Hias. “É um programa muito bom porque torna a vida da criança sociável, ter uma vida normal. A intenção é implantar o laboratório de manejo lá”, declara.

Núcleo Especializado em Tratamento Infantil da Incontinência Fecal (Netiif)

As crianças com incontinência fecal são encaminhadas ao Netiif pelos serviços especializados de Cirurgia Pediátrica, Gastro-Pediatria e pelo Núcleo de Disfunção Miccional na Infância (Nudimi) do Hospital Infantil Albert Sabin. O público alvo são os pacientes que tenham se submetido a cirurgias de correção do ânus e do reto, os portadores de mielomeningocele (defeito na coluna vertebral) e aqueles que tenham sofrido traumas no períneo.

Segundo João Henrique Colares, após a avaliação clínica e a realização dos exames de imagem, é diagnosticado se a criança apresenta incontinência fecal com tendência à constipação ou diarreia. Dependendo do diagnóstico, o tratamento pode ser feito com uso de laxantes, clisteres, fibras hidrossolúveis ou medicamentos para diminuir o “trânsito intestinal”.

A equipe multidisciplinar do Netiif é formada por cirurgião pediatra, enfermeira, nutricionista, psicólogo e assistente social. O serviço funciona às segundas e quartas-feiras, de 8h às 12h. Informações pelo (85) 3101-4288 ou netiif@hias.ce.gov.br

Assessoria de Comunicação do Hias

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