quarta-feira, 19 de março de 2014

A Segurança Pública no Ceará está desnuda

Em um ótimo artigo o o secretário-geral do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol/CE), inspetor Mario Marques, sugere mais inteligência policial como forma de compensar o reduzido número de policiais no Ceará. O artigo foi enviado para o Blog http://dialogospoliticos.wordpress.com/e agora divulgo para nossos leitores.

Há décadas, os sucessivos governos do Estado do Ceará apostam estrategicamente apenas na Polícia Administrativa (Polícia Militar) que, diga-se de passagem, tem seu grau de importância no cenário Segurança Pública. Entretanto, quando se Desestabiliza o tripé Polícia Militar, Polícia Civil (aqui, incluo a Perícia Forense, pois também são policiais civis) e os Bombeiros Militares todo o planejamento fica a desejar.
Em um Estado com quase nove milhões de habitantes e uma distância geográfica entre cidades que pode chegar a quase 800 km (Camocim a Penaforte) não dá para se prestar um elementar trabalho de Polícia Judiciária com um efetivo estimado em 2500 policiais civis! Criar “forças especiais” na Polícia Militar para combater, nesse imenso interior cearense, essas ações criminosas a bancos é, no mínimo, Desespero!
Sabemos que o combate efetivo a esse tipo de ilícito penal é centrado em inteligência policial. O embate de forças do Estado versus organizações criminosas só deve acontecer na minoria dos casos, quando não se tem eficiência nas atividades de inteligência policial. Uma das principais tarefas da investigação criminal é justamente “cortar o mal pela raiz”.

Em um Estado no qual as grandes metrópoles interioranas (como Juazeiro do Norte e Sobral) não possuem, elementarmente, uma Delegacia Especializada em Roubos e Furtos ou uma Delegacia de Narcóticos é dedutivo que os “crimes de maior complexidade” prevaleçam cotidianamente. É fato que isso é uma herança deixada pelos gestores estaduais que passaram pelas terras alencarinas.

O projeto na área de Segurança Pública que o Governo do Ceará instituir, originou-se no Estado de Pernambuco (chama-se Pacto Pela Vida). Poderia ser uma excelente aposta estratégica, se não tivéssemos contra nós um dado estatístico negativo: Em Pernambuco, o contingente das forças de segurança é de, aproximadamente, 30.000 homens e mulheres policiais. Aqui, no Estado do Ceará, não passamos dos 19.000.

Ceará e Pernambuco têm uma população semelhante. Então, pergunto aos senhores e senhoras que preenchem o seu estimado tempo lendo esse meu artigo: Como fazer acontecer?! Se os gestores públicos persistirem entendendo que a prioridade deverá ser sempre uma força policial em detrimento das outras, bem como gastos vultosos com aparatos tecnológicos esquecendo quase que completamente dos homens e mulheres operários da lei, o Estado do Ceará permanecerá, tristemente, ocupando essa desonrosa situação de, segundo o Anuário Nacional de Segurança Pública 2013, estar figurando entre os cinco Estados brasileiros com mais crimes contra a vida (homicídio, latrocínios, lesão corporal seguida de morte) em valores absolutos.

Mario Marques, secretário-geral do Sinpol/CE

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