quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O que 2015 reserva para o mercado de trabalho



Espírito De Equipe, Trabalho Em Equipe
São Paulo (DINO) 2/3/2015

Ainda que não se saiba como a nova equipe econômica irá atuar, não há nada no horizonte que permita otimismo com relação à economia em 2015. Se as previsões oficiais de crescimento nos últimos anos sempre foram muito superiores aos resultados obtidos, a expectativa do governo de que o PIB subirá 0,8% nos próximos doze meses dá calafrios. Vê-se que a economia continuará, se muito, estagnada.

Há um cenário de incerteza que deve trazer sérios reveses ao mercado de trabalho e escancarar distorções acumuladas nos últimos anos. Uma delas é o aumento da massa salarial. Conforme o IBGE, entre 2004 e 2012, o indicador registrou um crescimento médio anual de 5,2%. Em 2013, perdeu ritmo, com alta de 2,8%. Neste ano, até outubro, expandira 3,8%. Isso deveu-se à chegada de empresas ao país e à contratação de mão de obra, forma que as empresas encontraram para aumentar sua produção enquanto o consumo permanecia em níveis elevados.
Porém, o que sustenta o aumento de renda é ganho de produtividade e, nesse aspecto, o país possui um dos piores desempenhos do mundo. Um levantamento do Conference Board, entidade que realiza pesquisas econômicas em cerca de 60 países, apontou que o crescimento médio da produtividade no país, entre 2003 e 2012, foi de 1,1%, o menor entre os chamados BRICs, e, em 2013, a produtividade do trabalhador brasileiro foi a menor em toda a América Latina. O crescimento da massa salarial chega a ser inverossímil com o salto de 4,1% no segundo trimestre, período em que o país passava por uma recessão técnica. Não há bases reais que sustentem esse quadro. Diante do engessamento provocado pela CLT, a correção implicará em cortes.
As empresas necessitam ainda mais de profissionais preparados, e, a grosso modo, sofrerão para encontrá-los. Principalmente, entre os mais jovens. Segundo o IBGE, 20,3% dos brasileiros com 15 anos a 29 anos de idade não estudava nem trabalhava em 2013. Tão alentador quanto é o nível educacional de quem chegou à universidade. Uma pesquisa realizada no início do ano pela PUC Brasília com 800 de seus alunos revelou que 50% deles eram analfabetos funcionais.
Todas as projeções econômicas realizadas por bancos nacionais e internacionais para 2015 mostram um cenário onde teremos elevação da taxa de desemprego, salários estagnados e profissionais mal preparados. É uma combinação perigosa para o mercado de trabalho no ano vindouro.
(*)Susana Falchi é CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos. Atua como executiva e consultora em Projetos Estratégicos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte.

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