segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O crédito que não existe: cuidado com o mandrake


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Artigo redigido por Dan Cohen, cofundador da F(x) e financista 

Mandrake era um mágico que fazia apresentações nos Estados Unidos nos anos 1930 e que emprestou seu nome para um famoso personagem de história em quadrinhos. A expressão ganhou conotação negativa e refere-se a situações fajutas, que enganam os envolvidos. No mercado financeiro, por exemplo, existe o “crédito mandrake”, que desaparece como em um passe de mágica e não deixa nenhum vestígio.

Esta situação aflige empresas com problemas de liquidez que não conseguem se financiar junto às fontes tradicionais, como bancos e fundos. Confira como prevenir para não cair no conto do vigário:

Primeiro ato

Tudo começa com um “Consultor Mandrake” que promete desenvolver um plano de reestruturação com o capital de giro necessário para financiar o seu negócio. Ele vai citar nomes de algumas financeiras com quem trabalha e o quanto originou de crédito em cada uma.

Além disso, em todos os casos, vai cobrar uma “taxa de sucesso” sobre todo e qualquer valor captado com seus parceiros financiadores – independentemente dos custos e prazos.

O encantamento

Na sequência, há a ilusão. Dentre as exigências, a mais importante envolve o controle do caixa, que possibilita a implementação de uma gestão financeira profissionalizada. Este recurso é solicitado por profissionais sérios e, muitas vezes, representa o pedágio a ser pago para acessar o mercado de crédito.

Porém, essa “solução financeira” não irá tirar a empresa do buraco e, muito provavelmente, irá enterrá-la ainda mais por um simples motivo: o financiamento será muito caro e muito curto. Com a “taxa de sucesso” do consultor, não irá custar menos de 8% ao mês – inviável para qualquer segmento.

O truque final

Com o passar dos meses, a companhia descobre que nada mudou: os gastos com a folha continuam os mesmos, os fornecedores seguem exigindo pagamentos à vista e os bancos não atendem as ligações. Dessa forma, o empresário decide terminar o contrato com a “Consultoria Mandrake”, porém descobre que as linhas de financiamento extremamente caras, mas necessárias para a sobrevivência, desaparecem.

Isso acontece porque sem a figura do consultor, as financeiras perdem o controle sobre o fluxo de caixa, tornando o risco de crédito “indesejável”. É uma encruzilhada para a empresa: ou estabelece parceria com um sujeito de caráter duvidoso e com interesses conflitantes, ou perde todas as fontes de capital de giro. 

Fonte Dini

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