sábado, 12 de dezembro de 2015

O falso "golpe"

Direito de resposta de Maria Helena Gimenes sobre falso golpe publicado no Jornal Folha

Por Maria Helena Gimenes

Esta Folha abre a página 3 para um direito de resposta há muito solicitado por mim, por intermédio de meus advogados. Desde quando foi publicada a reportagem Falsa vidente é investigada por golpe de R$ 50 milhões em megaempresário (edição 31/10), convivo com imenso dano à minha imagem e reputação.  Fui transformada em protagonista de uma trama pretensamente verossímil que tem, de fato, dois únicos atores que importam: Emídio Mendes e Ivani Lucas, que emprestou dinheiro ao
primeiro para pagamento de dívidas do empresário no Brasil, e que ele hoje se nega a pagar. Lucas é credor de Mendes pelo empréstimo de R$ 14,25 milhões (valor de fevereiro de 2010), dinheiro que possuía devidamente declarado à Receita Federal. A narrativa sensacionalista foi inclusive reproduzida em portais portugueses, país onde vivi parte de minha vida.

Pela proximidade de Mendes no passado, intermediei essa relação comercial e acabei vítima dessa história e dos fatos daí derivados. O suposto "golpe de R$ 50 milhões" é a falácia decorrente dessa reportagem, que colocou em manchete um número que o texto não explicita como quantificou.

A Folha alega não ter citado Lucas por "não se tratar do tema principal da matéria" e, ainda, que Mendes diz ser ele um "laranja" meu. Ora, tomou-se como verdade a palavra do empresário, ignorando o fato de que Lucas é o credor que obteve na Justiça o bloqueio das contas e imóveis de Mendes e de suas empresas, em face ada confissão de dívida firmada em 2010, da ratificação dela em 2014, do descumprimento desmotivado do empresário das obrigações assumidas nas confissões citadas e de ele estar se valendo de "artifícios para deixar de cumprir suas obrigações". Foi este homem, prejudicado pelo denunciante, que o jornal ignorou sem nem sequer investigar mais a fundo sua história? E isso não é fazer julgamento?

Nunca me declarei vidente, como alardeia a reportagem. As acusações usadas por Mendes para me desqualificar são fruto de distorções de fatos com o único propósito de transformar o empresário de devedor em vítima. Até episódios que teriam ocorrido com minha filha foram atribuídos a mim, sem que deles eu nunca tivesse conhecimento. Fala-se de inquéritos dos quais eu nunca tive ciência.

Não sou "portadora" de identidades falsas. Essa questão é objeto de inquérito policial que tramita na Polícia Federal, onde depoimentos já comprovaram que tais documentos não foram produzidos por mim, e que eu nunca os utilizei. O inquérito já havia sido inclusive arquivado, mas foi retomado após nova denúncia anônima. Ali já se demonstrou que tanto aquelas identidades, quanto as denúncias formuladas, são responsabilidade de meu ex-marido, que também seria o autor de gravações, que a Folha diz ter em seu poder e nas quais ele me acusa de dar 'golpes em empresários". Meu ex-marido virou "fonte" e o repórter não teve o cuidado nem sequer de saber por que me acusa?

A Folha buscou os advogados dos personagens em questão, mas, inaceitavelmente, com foco mal direcionado e nos endereços errados. Contatou o escritório Yarshell e Camargo Advogados para obter informações sobre mim, quando quem trata de minha defesa é o escritório Carnelós e Garcia. Aquele primeiro cuida, na área civil, da defesa de Ivani Lucas, que foi lesado pelo assim qualificado "megaempresário". E inaceitavelmente chegou a um terceiro profissional, quando uma simples busca no inquérito na PF permitiria saber que o advogado criminalista que consta nos autos como meu defensor é Eduardo Carnelós. Infelizmente, esta Folha transformou em notícia o que nunca poderia ter passado de fofoca interesseira.


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