terça-feira, 22 de março de 2016

INFLAMAÇÃO: A VERDADEIRA CAUSA DAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES


A reputação do colesterol não é boa. Muitos esquecem que nosso corpo não consegue viver sem ele, pois compõem as membranas celulares; é base para produção da vitamina D, dos hormônios sexuais (estrogênio, progesterona e testosterona) e dos ácidos biliares; é uma importante arma no combate a infecções. Falar que o colesterol proveniente da dieta tem grande influência nos níveis sanguíneos é um mito. Quem controla a sua produção é o fígado e, se comemos menos, ele produz mais; assim como quando comemos em excesso, há uma menor produção.
Uma coisa que poucos sabem é que o LDL e o HDL têm vários subtipos. Nem todos os subtipos do LDL são maléficos, apesar de ter sido generalizado que ele é o “ruim”. Assim como nem todo HDL é “bom”.

E quando o LDL realmente passa a ser ruim? Quando ele oxida-se. Somente o LDL oxidado gruda na parede dos vasos, contribuindo para a placa e causando ainda mais inflamação e injúria. O LDL não-oxidado é inofensivo. Situações que contribuem com a oxidação do LDL são as substâncias químicas do cigarro, intoxicações por metais pesados como mercúrio (peixes e frutos do mar contaminados), inseticidas, radiação e toxinas presentes no ambiente, no ar ou nos alimentos.

Após falar tanto de gorduras, vamos falar um pouco dos carboidratos refinados, que seriam o principal contribuinte para as doenças cardiovasculares (DCV), mais que as gorduras. O carboidrato contribui para inflamação na parede das artérias; aumenta os níveis de insulina, que aumenta a pressão e os níveis de colesterol; junto com os alimentos processados, elevam os triglicerídeos que é um importante fator de risco; forma produtos de glicação avançada (AGE) quando se liga a proteínas na corrente sanguínea e, este mesmo processo, causa a injúria responsável pela oxidação de LDL, contribuindo para inflamação e DCV.

Nas diretrizes dietéticas do Dietary Guidelines Advisory Committee, lançadas em 2015, não há limite de consumo diário de colesterol pelo fato da quantidade deste presente nos alimentos pouco ou nada influenciar no sangue. Concluiu que “reduzir a gordura total (substituindo-a com carboidratos) não reduz o risco de DCV”.

Ao invés de procurar diminuir os valores sanguíneos de colesterol, os profissionais de saúde deveriam enfatizar a população a ter bons hábitos de vida para combater a inflamação crônica que, na maioria das vezes, é sub-diagnosticada. Entre as modificações estão alimentação e hidratação adequadas, dormir bem, combater o estresse, realizar exercício físico, evitar intoxicar-se com cigarros, drogas, álcool.

Dra. Germana Martiniano

Médica Nutróloga

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