segunda-feira, 25 de julho de 2016

Baixa qualificação torna o mercado de trabalho ainda mais desafiador para o jovem brasileiro

Investir em aprendizagem é essencial para jovens conseguirem colocação em meio à crise

A mercado de trabalho brasileiro está enfrentando uma das piores crises das últimas décadas, e diante do corte severo de vagas, a população mais jovem e menos qualificada é a mais impactada – o relatório divulgado no início do mês pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) denota preocupação especial com essa parcela da população: com o país ocupando a pior posição em relação à criação de empregos em 2016, medidas urgentes devem ser tomadas para evitar que jovens inexperientes e com baixa qualificação profissional fiquem à margem do mercado. Neste âmbito, investir em programas de estágio e aprendizagem são estratégias válidas – ainda que o mercado esteja mais restritivo, essas oportunidades são, muitas vezes, direcionadas exclusivamente para essa parcela da população e, por serem mais flexíveis, são a principal porta de entrada de estudantes para o emprego formal e qualificação profissional.

Perspectiva é pior para menos qualificados


No relatório intitulado “Perspectivas para o Emprego 2016”, a OCDE prevê um cenário que já configura a realidade de muitos jovens brasileiros: com o agravamento da crise, muitos precisaram ingressar no mercado de trabalho, seja para complementar a renda familiar ou custear os estudos. Para a Organização o alto índice da parcela classificada como “vulnerável” – jovens que além de não estarem empregados, não estudam ou não estão investindo na formação profissional é o mais alarmante para o país. Estima-se que 10,6% dos brasileiros entre 15 e 29 anos não possuem formação básica (ensino médio) e correm um sério risco não conseguirem adentrar no mercado encolhido pela crise. O número é quase o dobro da média observada pela entidade que desde 2014 já alertava quanto a necessidade de medidas urgentes para melhorar a perspectiva profissional do jovem. Diante do desempenho do país no relatório da própria OCDE (o país ocupou a pior colocação entre 44 países quanto à criação de empregos), neste momento a preocupação se volta especialmente para aqueles que, diante das dificuldades econômicas, se veem obrigados a abandonar os estudos. Além disso, os efeitos negativos sob essa parcela da população podem perdurar muito mais do que a própria crise, por não terem a chance de desenvolver uma profissão e seguir uma carreira, esses indivíduos se tornam menos competitivos mesmo após o país ter superado esse momento adverso.

Desemprego é menor entre os jovens com mais estudo


Ainda que o jovem mais qualificado também enfrente dificuldades ao procurar vaga, os números são mais favoráveis em comparação com aqueles que não tem alguma formação – a última amostragem da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad Contínua do IBGE) aponta entre a população desocupada, os trabalhadores de nível superior representam 9,2%, muito abaixo dos 38% apresentados por aqueles com ensino médio completo. Dentre aqueles que ainda estão em curso de formação, a taxa de desemprego é de 6,4% entre os estudantes de nível superior contra 11,7% do nível médio. Porém, é preciso destacar que diante do cenário adverso, possuir um diploma não é garantia de colocação – se no comparativo as perspectivas são favoráveis, a realidade, especialmente nos grandes centros urbanos, é de grande concorrência mesmo entre os mais qualificados.

Qualificação x Experiência


Em todos os casos existe um consenso entre os especialistas: investir em educação é essencial para concorrer no mercado atual. Tanto para o profissional experiente quanto para o jovem que busca uma colocação, trabalhar as habilidades e destacar suas aptidões é mais do que desejável, é essencial. Para o gerente de recursos humanos Rafael Pinheiro é preciso entender que as empresas estão mais seletivas e priorizando profissionais mais bem preparados “O próprio cenário atual permite às empresas serem mais criteriosas em seus processos devido à grande oferta de profissionais. Além disso, o candidato qualificado está mais apto a colaborar com a otimização e inovação de processos dentro da empresa – fatores extremamente importantes nesse momento em que boa parte delas conta com uma quadro mais enxuto.” – explica.

Porém, para o jovem, esse não é o único desafio: com o mercado mais exigente, a inexperiência se torna um dos maiores entraves. Muitas vezes, ele compete por vagas com trabalhadores muito mais experientes e, mesmo com um bom currículo, não consegue a colocação. Para o consultor, o jovem deve ser estratégico, e buscar as oportunidades certas: “Mesmo quando o jovem possui alguma qualificação, se ele não tem experiência, se torna pouco competitivo no mercado formal. Nesse âmbito, os programas de estágio são as melhores opções para os jovem adentrar no mercado. Ainda mais em momentos de crise, procurar um estágio pode ser muito mais efetivo do que concorrer por vagas tradicionais.” Para Pinheiro, a grande vantagem é que, além de não exigirem experiência, esses programas preparam o jovem para o mercado formal a curto prazo.

Jovem qualificado é melhor remunerado


Participar desses programas confere ao jovem muito mais do que a oportunidade de adquirir experiência, muitas vezes, o estágio também oferece melhor remuneração em comparação com o mercado formal. De acordo com o último levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, o saldo positivo na criação de vagas de trabalho formal se restringe aquelas que oferecem remuneração de até um salário mínimo. Em contrapartida, dados do mercado apontam que os programas de estágio, especialmente os direcionados para os jovens mais preparados, muitas vezes estão acima dessa média. De acordo com Tiago Mavichian, diretor da Companhia de Estágios, esse é outro motivo para o jovem recorrer à essa oportunidade “Para o estudante do nível superior os valores de bolsa-auxílio (remuneração dos estagiários) podem variar entre R$ 1.000,00 e 1.800,00 – os valores maiores são para os últimos anos de graduação e ter inglês é um ótimo diferencial. Mesmo para aqueles que estão iniciando e fazendo um curso técnico, por exemplo, existem vagas com remuneração acima de um salário mínimo. O mais importante é que o jovem siga investindo na qualificação e no desenvolvimento de habilidades, pois esse é o principal diferencial entre os candidatos ao estágio.” Além disso, o especialista aponta que a grande vantagem dessas vagas é que elas são oferecidas em empresas de médio e grande porte, que normalmente reservam vagas para efetivação dos melhores participantes ao fim do programa e, mesmo em caso de não efetivação garantirão ao estagiário recém formado chances muito maiores de se colocar, pois agora tem uma boa experiência no currículo. Outro ponto que merece destaque é que esses postos são voltados especialmente para o preparo do jovem, servindo de estímulo à continuidade dos estudos e inserção na carreira. Todos esses fatores evidenciam ainda mais a necessidade do investimento em aprendizado e qualificação da parcela mais jovem da população.

Fonte:Companhia de Estágios | PPM Human Resources

Dados: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad Contínua do IBGE)

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