domingo, 11 de setembro de 2016

O Aumento da Carga de Trabalho Basta para Combater o Desemprego?



Construção, Trabalhador, Concretos
Muito se fala na reforma trabalhista do Governo Michel Temer, as mudanças são muitas e até certo ponto assusta as pessoas trabalhadoras deste país.

O aumento de jornada de trabalho para 12 horas tem sido um dos pontos mais discutidos esses últimos dias. O limite de trabalho semanal se elevaria para 48 horas já contanto com as horas extras. Outra novidade é a possibilidade de se trabalhar por hora abrindo a possibilidade de que um trabalhador tenha vários contratos com diversas empresas.


Segundo o que foi publicados pela imprensa este novo modo de trabalho, por hora, terá seus direitos garantidos como o 13º salário, férias e décimo terceiro proporcional. Nesse modo o trabalhador nunca poderá trabalhar mais do que 48 horas semanais.

O governo e economistas alegam que as mudanças são necessárias para adequar as novas modalidades de trabalho que surgiram com o desenvolvimento da economia. Com esse novo sistema as empresas poderão adequar sua produção à demanda de mercado sem ter necessidade de ter o risco de ter um funcionário ocioso na linha de produção, escritório ou loja.

Por esse novo sistema se abre a possibilidade de contratação também por diária, ou seja, o profissional irá até a empresa realizará a tarefa e receberá sua hora acrescida de todos os direitos.

O que está se desenhando é um novo sistema de trabalho que exigirá do novo colaborador um novo comportamento, um comportamento de empreendedor corporativo. Esse novo funcionário terá que se especializar no que faz, estar sempre atualizado se quiser ter sucesso. Além disso ele terá que definir um nicho de mercado para atuar, o novo colaborador terá que ser estratégico.

Esse novo modo de relação trabalhista pode melhorar a relação de trabalho entre patrão e empregado, trazer desenvolvimento e aumentar a produtividade e qualidade de vida, mas também pode trazer muitos problemas como por exemplo a possibilidade de uma pessoa que esteja empregada aumentar sua carga de trabalho em determinados dias da semana, por exemplo, trabalhar 12 horas de segunda a quinta, para suprir a falta de um funcionário, onde estaria a qualidade de vida nesse caso?

Outra pergunta que precisa ser esclarecida é o que farão os “horistas” quando a economia estiver desaquecida? Poderá uma empresa operar somente com horistas? Caso esses horistas não encontrem ocupação se transformarão em microempreendedores e deixaram o mercado de trabalho causando assim um “vácuo” de mão de obra qualificada? O novo governo levou isso em consideração? Não seria melhor o governo baixar os impostos que incidem sobre a folha de pagamento das empresas e abrir mão de sua estrutura “hipopótamizada”. Infelizmente o sistema de trabalho proposto pelo governo já existe informalmente e não resolveu o problema. 

Serão perguntas que respondidas com o tempo. A única resposta que tenho é uma dúvida, o aumento da carga de trabalho basta para combater o desemprego?  Precisamos encontrar, empresários e trabalhadores uma solução para esse problema.

Pedro Paulo Morales é contabilista e Coordenador de Conteúdo do Blog Falando de Gestão

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